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“Precisamos influenciar Obama”

4/12/2008

Deanna Kerrigan, representante da Fundação Ford no Brasil, falou de parcerias da entidade com prostitutas. Em Calcutá, na Índia, a prevalência do HIV foi drasticamente reduzida entre as mulheres da zona. Na República Dominicana, o projeto de pesquisa Compromisso Coletivo engajou clientes e donos de casa, derrubando em 40% os casos de Aids, em um ano. No Brasil, dois projetos atuaram a partir da estratégia do desenvolvimento comunitário, engajando outras pessoas da comunidade no processo de mobilização cultural e prevenção, e conquistando a elevação da prática do sexo seguro. Foram Fio da Alma, no Rio, e Encontros, em Corumbá, que deu impulso à criação da Dassc.

Os quatro projetos foram apoiados antes da cláusula anti-prostituição ser incorporada aos financiamentos da Usaid. Agora, com a eleição do presidente Barack Obama nos Estados Unidos, Deanna acredita que há possibilidades de alterar a legislação americana. “Precisamos demonstrar o sucesso dessas parcerias para influenciar políticas internacionais. Pessoas de vários países devem se mobilizar para este momento de mudança”.

Protagonismo sem vergonha

Representando o Programa Nacional de DST e AIDS, Angela Donini trouxe para a cena a parceria com o movimento de prostitutas e a Consulta Nacional de Prostituição, Direitos Humanos e DST e AIDS, realizada no início do ano. Destacou o protagonismo das prostitutas no processo, fortalecido com projeto apoiado pelo PN, o Sem Vergonha, que ampliou o trabalho de prevenção na perspectiva dos direitos humanos. Para ela, a consulta nacional permitiu novas articulações com órgãos do governo que ainda não consideravam o tema da prostituição, como Cultura e Justiça.

A liderança do movimento na recusa de recursos da Usaid vinculados ao combate à prostituição foi lembrada por Angela, assim como o acompanhamento e controle de pesquisas com putas e a forte presença delas na Conferência Internacional de Aids no México.

No campo dos direitos, destacou a promoção da prostituição como um direito sexual e o ativismo pela regulamentação, mas advertiu que as reivindicações ainda não penetraram profundamente nos conselhos de Direitos Humanos.



 

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