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“Platéia deu um enorme rugido de aprovação”, afirma AIS Flavio Lenz 6/8/2008 Durante a coletiva de imprensa logo após a plenária, o diretor-executivo da Sociedade Internacional da Aids (AIS), Craig McClure, disse que a platéia aprovou totalmente a presença e as palavras de Elena Reynaga. “O que vi hoje nesta plenária de 7, 8 mil pessoas foi um enorme rugido de aprovação, de que finalmente, depois de 25 anos da Conferência Internacional de Aids, uma líder trabalhadora do sexo fala ao mundo sobre as questões do trabalho sexual, ao invés de um pesquisador ou um analista político, que nunca trabalharam na prostituição. Foi uma aprovação geral, para todos os organizadores, inclusive a IAS, por trazerem uma trabalhadora do sexo para falar de trabalho sexual.” Ainda na coletiva, ao responder uma pergunta do “Beijo da rua” sobre a receptividade da platéia, Elena seguiu no mesmo trilho: “Isso ocorreu porque estava falando uma trabalhadora do sexo, que está tentando, nesses 14 anos de ativismo, levantar a voz de todas a companheiras. Eu era ali apenas a cara visível, ao estar falando em nome das colegas do mundo. Não estava apenas falando sobre o que se passa na América Latina ou Argentina, mas o que se passa no mundo. A organização, o resultado, as dificuldades, para mostrar a realidade no mundo. E também devem ter gostado porque não sou politicamente correta quando falo”. Mais cedo, no encerramento da plenária, o mexicano Luis Soto-Ramirez, co-presidente da 17ª Conferência Internacional de Aids, disse que se encantou com a apresentação de Elena e declarou-se favorável à descriminalização da prostituição. Ele destacou a posição de que as trabalhadoras do sexo devem participar da elaboração de políticas de prevenção e atenção, “porque esta é a única forma de as políticas serem corretas”. Luis Soto-Ramirez adiantou ao “Beijo da rua” que deve mencionar, no seu discurso de encerramento, a participação das prostitutas na conferência. (leia “Entrevista: Soto-Ramirez defende descriminalização”) Maestra emocionada Já a fundadora da Rede Brasileira de Prostitutas, Gabriela Leite, considerada por Elena Reynaga a “maestra” do movimento latino-americano da categoria, disse que a apresentação foi “muito emocionante, a coroação de tantos anos de trabalho”. Ela acha que “não haverá mudanças muito rapidamente, mas que se tratou de um primeiro momento para comunicar ao mundo que trabalho sexual é trabalho, que nós temos de receber e administrar os recursos, e não os outros, e uma oportunidade para tirar um pouco o preconceito dos financiadores com relação a nós”. Elena, disse Gabriela, “foi muito clara sobre a preferência das agências por organizações vitimizadoras”. Ainda segundo Gabriela, a dirigente da RedTraSex mostrou “porque é importante a organização, deixou evidente a nossa auto-determinação e tratou de denunciar o documento da Onusida”. Ela adiantou ao “Beijo da rua”, com exclusividade, que haverá uma nova consulta, com participação de prostitutas, para a revisão do documento. da Onusida. |
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