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Aids 2008: prostituta fala em plenária pela primeira vez Elena Reynaga, dirigente da RedTraSex, vai tratar de direitos humanos e recursos na manhã desta quarta-feira Flavio Lenz 5/8/2008 Cidade do México, DF - Pela primeira vez numa Conferência Internacional de Aids, uma prostituta ocupará a mesa de uma plenária, a sessão formal que abre cada dia do evento. Elena Reynaga, da Rede Latino-Americana e Caribenha de Trabalhadoras Sexuais (RedTraSex), falará na manhã desta quarta-feira, tratando de direitos humanos e discriminação e de recursos para organizações de prostitutas, com transmissão pela internet em www.kaisernetwork.org/health_cast/hcast_index.cfm?display=detail&hc=2909). Nesta entrevista exclusiva, a argentina Elena adianta ao “Beijo da rua” o conteúdo da intervenção. Beijo – Como vê a presença de uma prostituta na mesa de uma plenária, pela primeira vez na história das conferências? Elena – Creio que é um reconhecimento não a mim, mas ao movimento latino-americano de trabalhadoras do sexo. Estou profundamente nervosa, porque é muita responsabilidade, mas também profundamente orgulhosa, porque estamos em nossa casa, porque a conferência acontece no México. È uma conquista, depois de tantos anos de luta. Beijo – Que temas você vai abordar? Há dois temas de que vou tratar: o primeiro é o de direitos humanos e discriminação, para deixar claro que não é só a camisinha o nosso interesse, com muitos pensam. Porque há muita camisinha, mas não há respeito aos direitos humanos das trabalhadoras do sexo. E, depois, o tema dos recursos, para onde estão indo os recursos. Porque hoje eles se destinam a organizações que são para prostitutas, e não de prostitutas, e portanto não produzem impactos reais nos países. Beijo – Considera então fundamental que os fundos sejam direcionados às organizações formadas e dirigidas por trabalhadoras do sexo? Elena - Sim, porque está demonstrado que quando os recursos são manejados pelas organizações de base, aí aparecem os resultados. O Cone Sul é um dos exemplos. Conseguimos mudanças nas políticas públicas que favoreçam as trabalhadoras do sexo, e temos derrubado legislações que criminalizavam a prostituição. O Brasil também é um exemplo neste campo. A plenária começa às 9h, e terá também apresentações sobre terapia Haart, criança e famílias, e prêmio para estudos sobre mulher. Elena Reynaga falará às 10h, na sala nº 1 (SR1). A RedTraSex é composta por organizações de prostitutas de 15 países. |
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