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Daspu emociona ativistas no México Desfile de 30 prostitutas, prostitutos e trans de 12 países esquenta Conferência Internacional de Aids Flavio Lenz 4/8/2008 Cidade do México, DF – Centenas de ativistas da luta contra a Aids vibraram com o desfile da Daspu durante a 17ª Conferência Internacional de Aids, na Cidade do México, nesta segunda-feira. Trinta prostitutas, prostitutos e trans de Argentina, Brasil, Guatemala, El Salvador, República Dominicana, México, Jamaica, Tailândia, Austrália, Canadá, Rússia e França levaram ao delírio a multidão acotovelada diante do palco principal da Aldeia Global, o espaço da militância cultural na Conferência. Ao som de músicas mexicanas de zona e de ritmos franceses de cabaré, de suingues e de reggaeton, grupos de seis modelos entraram no palco a cada vez fazendo coreografias, primeiro no fundo da cena e, depois, junto à platéia. O michê jamaicano Dino Palmer arrancou suspiros gays, enquanto a brasileira Jane Eloy provocava os héteros e a salvadorenha Yanira Tobar balançava seu corpão gordinho com vontade, ganhando admiração e palmas do público. Camille Cabral, ativista trans brasileira que vive na França, foi ovacionada na passarela e elogiou a iniciativa. “Foi uma festa de cores, alegria e confraternização, num contexto de reivindicação, porque não se deve esquecer que esta festa toda, tão linda, tem uma reivindicação, os direitos iguais para trabalhadores do sexo”. A mistura de nacionalidades também encantou Camille. “Na minha direita tinha uma russa, na minha esquerda uma dominicana, atrás uma mexicana, uma torre de Babel, com todas se entendendo, se beijando e abraçando, me emocionei”. Para Ângela Donini, do Programa brasileiro de DST e Aids, “trata-se de um momento histórico numa conferência internacional de Aids, porque pela primeira vez se colocou a prostituta em outro patamar nesse campo, não mais como a coitadinha vulnerável”. Toni Reis, presidente da ABGLT, firmou sua visão sobre a Daspu. “É uma puta estratégia para levantar a auto-estima das putas, para diminuir o estigma e desmistificar a prostituição”. E completou: “Fiquei super-orgulhoso de ser brasileiro”. Bastidores da diversidade O clima nos bastidores também foi de alegria e orgulho. “Havia pessoas entrando em contato com a Daspu pela primeira vez, já entendendo a proposta, gente que nem conseguia se comunicar pela diferença de idiomas, mas que se comunicava de alguma forma. A russa, a tailandesa, todas se comunicavam, compartilhando acessórios e tudo mais. É coisa de puta”, disse a modelo simpatizante brasileira Elaine Bortolanza. “Diversidade total”, resumiu a também brasileira Lucia Paz, em seu segundo desfile pela grife e no primeiro internacional. Coordenadora da atividade e cooperante alemã da ONG Davida, Friederike Strack também se encantou com a mistura de estrangeiras. “Adorei, mulheres de todos os cantos, russa, tailandesa, mexicana, além de música e coreografia espetaculares”. Ela também foi responsável por traduzir o breve discurso de Gabriela Leite, fundadora da grife Daspu, antes da apresentação. “Somos mulheres, não somos vítimas da sociedade. Temos nosso trabalho, que merece o mesmo respeito que as demais profissões, e também fazemos moda”, discursou ela. A argentina Jorgelina Soto, secretária adjunta nacional de Ammar, gostou principalmente “do final do desfile, com todas juntas, mostrando ao mundo que somos muitas e podemos mudar a sociedade”. A impressão na platéia era semelhante. “Me surpreendi com todos os modelos, espontâneas, passaram um calor muito grande para a gente, e ainda gostei muito dos desenhos das roupas”, disse o colombiano Fabian Betancourt, que também atua na área de moda ligada à prevenção de Aids e apresentou desfile pouco após a Daspu. Já o modelo mexicano simpatizante Israel Mendes considerou a “experiência inesquecível, por compartilhar com tanta gente estrangeira e como uma maneira de transmitir a informação que chega a todo mundo”. A direção artística foi da mexicana Jacqueline Serafin, que contou com um grupo de 15 pessoas na produção. A coleção apresentada no México é a de Verão 2009, chamada As Cruzadas – Entre o Botão e a Espada, desenvolvida em parceria com um grupo de profissionais, alunos e ex-alunos dos cursos de Design de Moda e Design Gráfico da universidade Fumec, de Belo Horizonte. |
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