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Jornalista lança livro sobre a grife mais incorreta do mundo

30/6/2008

Quinze dias depois de a Daspu estourar na mídia, em dezembro de 2005, um empresário negociou com a grife o licenciamento da marca, a fim de produzir e distribuir roupas a todo o Brasil. Além disso, ele abriria uma loja no Rio e outra em São Paulo. A resposta da ONG Davida, dona da marca, está no livro “Daspu – a moda sem vergonha”, que o jornalista Flavio Lenz lança nesta segunda-feira, a partir de 19 horas, na Livraria Unibanco Arteplex, no Rio (Praia de Botafogo, 316).

Outra boa história do livro é a do oferecimento de espaço pela Daslu para que a Daspu vendesse suas roupas na ultra luxuosa butique paulistana, que havia ameaçado processar a ONG por conta do nome da marca de prostitutas. Se a grife aceitou ou não a oferta, “só o livro revelará”, segundo Flavio Lenz, o autor da obra.

O escritor, porém, topou adiantar um trecho que relata a história do empresário de São Paulo (leia abaixo). Ilustrado com fotos de quase três anos de história, incluindo mais de 20 desfiles, o livro sai pela Editora Aeroplano.

Proposta tentadora

A turbulência já era de grau 3, numa escala de 5, quando surgiu um empresário de São Paulo propondo negócio. Ele percebeu, mais rapidamente do que qualquer um, o valor da marca e a oportunidade de faturar. Por e-mail e telefone, insistiu muito num encontro pessoal, na época em que chegavam aquelas 400 mensagens por dia. E tanto fez que conseguiu.

Na festa de Natal do Davida, sexta-feira 23, foi recebido no escritório por Gabriela. Objetivo e gentil, na faixa dos 40 anos, falou de sua carreira e da “marca forte” que tínhamos em mãos, confirmando o que havia escrito num e-mail: “Posso ser um bom parceiro para ajudar a transformar a grife Daspu em um grande sucesso. Creio que não só as prostitutas, mas muitas outras pessoas simpatizantes teriam interesse em comprar os produtos da Daspu. Tenho condições de investir num projeto como esse.”

E apresentou a proposta, que era pra lá de tentadora: uma loja exclusiva Daspu em São Paulo, com sala equipada para escritório institucional de Davida; outra loja no Rio (contraproposta que ele topou); o desenvolvimento e a fabricação dos produtos, em caráter não exclusivo (mantida nossa própria produção) e com nossa aprovação prévia de lay-out; a comercialização dos produtos, garantido o direito de Davida fazer negócios na sede e pelo site; a venda a preço de custo de peças exclusivas para a ONG revender; o pagamento mensal de royalties de 10 por cento sobre a venda no varejo (nas duas lojas) e no atacado. No pacote estavam incluídas festas de inauguração das lojas, primeiro no Rio, a nosso pedido.

Além da cessão de uso da marca, nossas obrigações se limitavam a não interferir nas relações comerciais entre a empresa dele e seus fornecedores e não se manifestar sobre os negócios dele sem autorização. Do bolso, não precisaríamos tirar nada. Ele mencionou um investimento inicial na casa dos 300 mil reais.

A proposta não estava assim detalhada e consolidada naquele dia 23, mas alguns dos pontos tratados, como o da loja em São Paulo, foram suficientes para que Gabriela, após se despedir do empresário, adentrasse a festa de Natal da ONG “entusiasmadíssima”.



 

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