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Crime de ódio e de intolerância

Roberto Chateaubriand Domingues, Gapa-MG

27/6/2007

Tempos estranhos esses em que vivemos. A violência atravessa nosso cotidiano buscando fundamentos diversos, cada vez mais improváveis e inconsistentes para se justificar, como se fosse possível a sua legitimação através de argumentos baseados na intolerância ou na indiferença com relação ao outro que, supostamente, nos são diferentes. Afinal, será que a violência se justifica por algum meio?

Em nosso país, de forma assustadora, cresce o número de casos de violência nos quais as vítimas são cidadãos/cidadãs que são transformados em objetos de ódio simplesmente por serem sujeitos historicamente excluídos e marginalizados. O que causa espanto não é exatamente este fato, pois é sabido que esta parcela da população sempre foi alvo de agressões, inclusive aquelas institucionalizadas. O espantoso é a explicitação, sem rodeios ou floreios, desta condição como fator justificante do ato agressivo, buscando escoras supostamente capazes de avalizar as razões que o motivaram, preferencialmente, naturalizando o episódio. Era apenas uma ‘vagabunda’! Antes havia sido apenas um ‘índio’, um ‘favelado’, um ‘negro’, um ‘veado’, enfim, alguém que não merecia atenção ou respeito.

Estamos diante de um crime de ódio e de intolerância que não deve ser minimizado ou reduzido a um episódio isolado de ‘pityboys’, entediados com a vidinha vazia de classe média que levam. Precisamos problematizar a questão, discuti-la à exaustão, buscando ampliar o círculo de potenciais afetados, agregando novos atores à luta, demonstrando que esta ameaça transcende, em muito, a categoria de prostitutas ou a qualquer outra passível de ser confundida com esta. Nos encontramos enfeixados na mesma trama, sem exceção, seja por nos sentirmos diretamente afetados pela agressão sofrida pela doméstica que experimentou na carne o peso da violência vivida silenciosamente por centenas de mulheres prostitutas, dia após dia, seja por estarmos inertes e calados pelo horror da violência cotidiana que assola o país ou seja, ainda, por acreditarmos que o problema é do outro, ou pior, é o outro.



 

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