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Justiça sim, mulher!

Associação das Prostitutas da Bahia – Aprosba

27/6/2007

Historicamente as mulheres têm lutado pelo reconhecimento de dignidade e garantia de cidadania tanto no espaço público quanto no privado. Muitos são os desafios encontrados para nossa afirmação enquanto sujeito de direitos numa sociedade, local e global, marcada por profundas desigualdades geradas pelas hierarquias da diferença – que arbitrariamente promovem os direitos políticos, econômicos e sociais apenas de comunidades masculinas, brancas e proprietárias de riquezas.

O recente espancamento da trabalhadora doméstica, Sirley Carvalho, 32 anos, por cinco pequenos burgueses estudantes universitários, teoricamente civilizados, demonstra que o processo de diminuição de preconceito e discriminações no Brasil ainda se encontra expressivamente caótico, especialmente para grupos altamente marginalizados como as prostitutas – já que este foi o principal argumento utilizado pelos praticantes dos crimes de roubo e tentativa de homicídio para desafiarem a justiça. Embora o trabalho sexual seja uma atividade tão antiga quanto a humanidade, assim como o trabalho doméstico, ainda que o Ministério do Trabalho tenha reconhecido as prostitutas como profissão legítima pela Classificação de Ocupações Brasileiras (CBO), ainda que este serviço prestado à sociedade seja de Utilidade Pública – pois reduz a insatisfação sexual e, conseqüentemente, as principais violências domésticas as quais as mulheres são submetidas cotidianamente por seus familiares, como abuso sexual e estupro – as prostitutas continuam sendo exploradas pelo mercado capitalista, torturadas pelos policiais e negligenciadas pelo Estado brasileiro.

O fato do dia 23, que chega ao movimento de prostitutas como as bárbaras pedras lançadas à Maria Madalena, como mais uma navalha na carne de uma mulher-mãe-filha-amiga-trabalhadora, nos fragiliza enquanto iguais mas nos fortalece pela indignação. Assim, reafirmamos nossa batalha pelos direitos humanos de quaisquer cidadãos, independente de sexo, profissão, orientação e expressão - e propomos o acompanhamento contínuo da justiça para que os indiciados Felipe Macedo Nery Neto, Leonardo de Andrade, Julio Junqueira, Rubens Arruda e Rodrigo Bassalo, cumpram pena por roubo, tentativa de assassinato e discriminação.


 

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