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O Brasil reage à violência física e moral Sociedade se revolta com agressão a mulher e ataque a prostitutas Flavio Lenz 27/6/2007 Manifestações de todo o Brasil marcaram a semana em que uma mulher, empregada doméstica, foi roubada e espancada por uma quadrilha de jovens porque... acharam que ela era uma prostituta. “Simples assim e trágico assim”, afirma Gabriela Leite, da Rede Brasileira de Prostitutas, em texto também aqui publicado. A agressão, na madrugada de sábado, no Rio, foi repudiada e veementemente condenada na Internet, em cartas de jornais, na TV, e a própria vítima teve forças para condenar mais do que o próprio espancamento. “Eles disseram que fizeram isso porque me confundiram com uma prostituta. Mas, mesmo que eu fosse, cada um faz o quer de sua vida. Ninguém merece uma agressão dessas”. Palavras de Sirley Dias da Carvalho Pinto. A coragem de Sirley mostra que já se foi longe demais. E talvez por isso, finalmente, apareça a revolta de tantas pessoas. “A solidariedade que estamos recebendo é imensa: e-mails, cartas de leitores nos jornais, repercussão na imprensa e o apoio formal da OAB-RJ”, reafirma Gabriela. Ao lado dela, a Associação de Prostitutas da Bahia também se manifesta com firmeza, pedindo justiça “por roubo, tentativa de assassinato e discriminação”, em outro texto a seguir. De Minas Gerais, o ativista de direitos humanos Roberto Chateaubriand, do Gapa, reforça a gravidade do episódio. “Estamos diante de um crime de ódio e de intolerância que não deve ser minimizado ou reduzido a um episódio isolado de ‘pitboys’, entediados com a vidinha vazia de classe média que levam. Precisamos problematizar a questão, discuti-la à exaustão, buscando ampliar o círculo de potenciais afetados, agregando novos atores à luta, demonstrando que esta ameaça transcende, em muito, a categoria de prostitutas ou a qualquer outra passível de ser confundida com esta”. Indignação Entre os e-mails de solidariedade, todos mostram indignação. “Onde é que nós estamos? Quer dizer que, se fosse prostituta, estava justificada a barbaridade?”, indaga Sonia Rache. “Esse crime foi uma violência física para a Sirley, mas também foi uma grande violência moral para todas as mulheres brasileiras. E eu acho que as prostitutas devem encabeçar essa luta, a fim de que a sociedade as trate com mais dignidade”, escreve Eleonora, que sugere uma ação por danos morais. De Caxias do Sul, Flavio Ulysses Pinto faz a sua parte: “Gostaria de saber se essa entidade irá ingressar com uma ação contra aquele agressor covarde que espancou aquele mulher na parada de ônibus e se ‘desculpou’ dizendo pensar ser uma prostituta”. Já a assistente social Claudia menciona direitos e cidadania. “Por acaso prostituta é lixo? Não tem direitos, nem cidadania? Estou indignada, a mensagem passada foi que uma cidadã não pode ser espancada, mas uma prostituta pode”. “Puta não é uma pessoa igual a mim e às mães deles?? Batendo nesta mulher, eles agrediram todas nós”, escreve uma pessoa que se identifica como “mulher casada”. Nada tranqüila, Serena brada aos quatro ventos: “Tal alegacão é crime de discriminação, pois, na verdade, eles deixam clara a pregacão do ódio e violência contra as prostitutas, inclusive, que ser prostituta é um bom motivo para justificar espancamento”. “Onde iremos parar se na sociedade onde vivemos existem pessoas como essas, com esses valores equivocados, que acham que o fato de alguém ser profissional do sexo lhes dá o direito de agredir?”, enfatiza Heloisa Franco. São manifestações de pessoas que demonstram o compromisso com a cidadania, seja de quem for. Certamente a maioria de nós. A seguir, leia os artigos de Gabriela Leite, da Associação de Prostitutas da Bahia e de Roberto Chateaubriand. |
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