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Governo lança plano de combate à Aids entre mulheres

Pela primeira vez, diferentes ministérios e movimentos de mulheres atuam de forma conjunta contra a epidemia

Flavio Lenz

5/3/2007, 19h40

O governo federal anuncia nesta quarta-feira um programa de combate à Aids dirigido a mulheres que associa, pela primeira vez, diferentes ministérios. Para demonstrar a importância dessa ação conjunta, será o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, quem lançará o Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia de Aids e outras DST. O programa também prevê ações conjuntas de distintos movimentos de mulheres.

O evento será na Cidade do Samba, às 10h, com a presença da ministra da Secretaria Especial de Políticas para as mulheres, Nilcéa Freire, do ministro da Saúde, Agenor Álvares, do ministro dos Esportes, Orlando Silva, e da diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão. Também será anunciado a Campanha de Prevenção das DST/AIDS nos Jogos Pan-americanos Rio 2007.

Para Mariângela Simão, “é muito importante, no enfrentamento da epidemia, juntar outros parceiros que atuam na área da mulher, como a Secretaria Especial, porque eles têm penetração em meios que a gente não alcança”. O plano, afirma a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, “mostra que é possível integrar vários órgãos públicos com um objetivo comum”.

O crescimento da Aids entre as mulheres, chamado de feminização da epidemia, é a grande motivação do programa, lançado na véspera do Dia Internacional da Mulher. Em 1986, a cada 15 homens vivendo com Aids, havia apenas uma mulher. Atualmente, segundo dados de 2005, há uma mulher para cada 1,5 homem.

Gênero

As desigualdades de gênero, para o governo, são as grandes responsáveis por esse crescimento. Por isso, as vulnerabilidades de todas as mulheres, de qualquer segmento, passarão a ser referência para o enfrentamento da epidemia entre elas. Entre elas estão violência doméstica e sexual, raça e etnia, drogas, estigma e violação dos direitos humanos, juventude e pobreza.

O combate à pobreza, por exemplo, estará no centro do programa, ao lado da promoção da saúde sexual e reprodutiva. O Bolsa Família será parceiro das ações, já que 90% das beneficiárias são mulheres, além de pobres. Mas os homens não serão esquecidos, Outra novidade do plano será a participação deles na estratégia, embora a forma de inclusão ainda não esteja decidida. “É claro que é fundamental envolver os homens, até pela transmissão se dar principalmente pela via sexual”, lembra Mariângela.

Movimentos

Mulheres de diferentes movimentos, como feministas, prostitutas, lésbicas e pessoas vivendo com HIV/Aids, já vêm se reunindo para participar das ações previstas no plano. A idéia é unir forças para a “redução do estigma”, o fortalecimento dessas articulações e “a promoção do acesso aos dispositivos necessários para o exercício da cidadania”, segundo o plano.

“Nossa proposta não é pasteurizar os movimentos, mas cada um abordar os temas nas suas áreas, com enfoques específicos”, afirma Mariângela Simão. “De qualquer modo, o apoio a segmentos de mulheres terá continuidade. Fundamental é a inclusão da discussão da Aids entre todas”.

Prostitutas

Para Gabriela Leite, da Rede Brasileira de Prostitutas, “as ações integradas são muito bem-vindas, tanto de parte do governo como entre os movimentos de mulheres”. De acordo com ela, “ter as prostitutas num plano global de enfrentamento da Aids é mais um passo para superação do estigma que também ocorre entre as mulheres”. Além disso, afirma, “demonstra de vez que, mesmo com perfis diferentes, somos todas iguais nas nossas vulnerabilidades”.

Entre as diferentes porém iguais, atletas, paratletas e mulheres que atuam nas comunidades lutando contra a aids serão homenageadas este ano pelo governo. Atletas da atualidade e nomes históricos do esporte olímpico, como a nadadora Maria Lenk, estarão presentes ao evento.



 

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