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Gauguin, Lasar Segall e Sting estão entre os artistas que se inspiraram em prostitutas e agora aparecem na coleção de outono-inverno Daspu


Daspu lança Puta Arte nesta sexta

Prostitutas popularizam obras inspiradas em prostitutas

17/1/2007

Artes plásticas, cinema e música. Essas são as formas artísticas que compõem a coleção Daspu para o outono-inverno 2007 – intitulada Puta Arte. Com lançamento nesta sexta-feira 19, na Praça Tiradentes, Centro do Rio, a coleção traz obras de artistas brasileiros e estrangeiros, todas inspiradas na arte maior das prostitutas: a de se oferecer aos olhos, aos desejos, às fantasias e aos toques, seja no corpo ou nos suportes das emoções estéticas. A criação é do designer Sylvio de Oliveira.

Pintadas, fotografadas, filmadas, xilogravadas, desenhadas e também letradas em canções, as mulheres da vida são “tema histórico e eterno para os artistas”, lembra Gabriela Leite, coordenadora da ONG Davida e da grife Daspu. Do francês Toulosse Lautrec ao gravurista brasileiro J. Borges, passando por Gauguin, Picasso, Otto Dix e Lasar Segall, de Chico Buarque e Raimundos, de Madonna e Sting, do cartunista Aliedo e do funkeiro Gutz, “elas a todos pertencem e todos pertencem a elas – à sua generosidade de se expor e inspirar”, completa Gabriela. Como inspiram, no cinema, a Marlene Dietrich em “O Anjo Azul”, Greta Garbo em “Mata Hari”, Liza Minelli em “Cabaret”, Nicole Kidman em “Moulin Rouge”.

Toda essa arte daspu é popularizada e compartilhada agora, século 21, na “forma mais contemporânea de mídia artística”, segundo Sylvio: as camisetas, acompanhadas de vestidos, blazers, saias, calças e legs. Pela primeira vez trabalhando com viscose e em modelagens especiais que renovam as camisas T, a grife da ONG Davida destaca o branco e o preto, tons de azul, de vermelho e amarelo, mangas três quartos e compridas (inclusive em duas cores), golas em V, tipo canoa e redondas, além de punhos largos. As saias vêm justas e também rodadas, as calças têm bocas largas, e entre os detalhes há strass, paetês, debrum de lamê, babados. Ainda nos tecidos, a coleção incorpora o buclê e não esquece da tradicional malha de algodão.

Em ritmo de samba e funk

E para apreciar a coleção Puta Arte, nada melhor – conta o designer Sylvio de Oliveira – que o cenário das ruas e da boemia, onde tantas das obras foram idealizadas e que é também o espaço magno das apresentações da grife Daspu. Nessa vez, serão mais de 30 modelos a desfilar, entre prostitutas e simpatizantes, incluindo homens, embaladas por imagens projetadas das pinturas, gravuras, filmes e desenhos, e por clips, funks e sambas. O espetáculo vai ter ainda a participação do Bloco Carnavalesco Prazeres Davida, já no segundo ano de folia.

“Assim, em alta temperatura”, diz Sylvio, vai ser a noite de 19 de janeiro, a partir das 19 horas, com a atração principal rolando às 20h, na Rua Imperatriz Leopoldina, Praça Tiradentes. Uma noite que promete, mais uma vez, balançar o preconceito e mostrar “que a vida é boa” para as “mulheres que só dizem sim”.

A grife Daspu gera recursos para os projetos sociais de Davida e amplia a visibilidade do movimento de prostitutas, em sua luta contra o preconceito e pela cidadania das profissionais do sexo. Entre os projetos da ONG, estão: prevenção de DST e Aids entre prostitutas e clientes, em parceria com o Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde; produção e distribuição do jornal impresso e site Beijo da rua (www.beijodarua.com.br); eventos culturais como Mulheres Seresteiras (prostitutas que cantam e encantam), a peça teatral Cabaré Davida (sobre prostituição e prevenção de Aids) e o bloco de carnaval Prazeres Davida, todos promovendo participação e integração comunitária em áreas boêmias do Rio.



 

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