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Prostitutas são aplaudidas em manifestação no Canadá Domingo, 13 de agosto: Melinda Gates defende apoio às profissionais do sexo Gabriela Leite 14/8/2006 Hoje é o início da conferência. Muita gente na cidade e uma segurança que beira a esquizofrenia. Cada lugar que se entra é necessário mostrar o crachá e o segurança passa um aparelho para ver se é verdadeiro, e toda vez que se sai do edifício (e eu saio muito para fumar) na volta a bolsa é revestida. Filas homéricas para registro. Muitas pessoas chegaram a ficar cerca de 4 horas para conseguir seu registro. Eu tinha uma pulseira azul que indicava que eu estava trabalhando em um estande e por isso não precisei entrar na fila imensa que te dava o direito de entrar para depois ir para outra fila e aí sim efetivar o registro. Quando eu estava indo enfrentar algumas horas na multidão, o pessoal do Programa Nacional de DST e Aids me encontrou e, que grande felicidade: eles já tinham meu registro! Tudo isso para contar que não enfrentei a fila, apesar de ter trabalhado um montão no nosso estande. As meninas da Stella (ONG canadense de prostitutas) se inspiraram na Daspu e fizeram uma camiseta azul com uma mulher vestida com o laço vermelho. Ficou bonita! Todas ontem estávamos com essa camiseta e nos preparamos para a manifestação dentro do imenso estádio onde acontecia a abertura. Manifestação e batatas fritas Às seis horas fechamos o estande (que recebeu muitas e muitas visitas) e fomos num imenso grupo para o estádio. Muitas faixas e galhardetes e muita emoção. Eu chorei quando nós entramos no meio daquela multidão. Todas juntas, de camiseta azul e gritando "sex work is work" (trabalho sexual é trabalho). Todo mundo nos aplaudiu. E quando a fala de Bill e Melinda Gates foi anunciada, todas nos levantamos com as faixas e palavras contra a política americana contra as prostitutas. Dizem que nossa manifestação passou na televisão com bons comentários dos jornalistas. Uma senhora que estava perto ficou tão emocionada que foi à lanchonete e nos ofereceu muitos pacotes de batatas fritas. Nos disse ela que era a forma que tinha de dizer que estava conosco. Assim comemos muitas batatas fritas e ouvimos Bill Gates, que foi razoável em seu discurso. A grande atração da noite foi a Melinda Gates. Sem um discurso escrito, ela falou enfaticamente sobre a necessidade de uma política moderna de financiamento e tratou especialmente de direitos humanos, gênero, luta contra o estigma e principalmente apoio às prostitutas, especialmente nos países afetados pela política americana. Ainda não temos certeza, mas parece que amanhã (segunda 14), entre 5 e 6 da tarde, ela virá visitar nosso estande e se reunir com a gente. Parte da solução É isso. De resto devo dizer que a abertura foi muita chata, com muitos políticos canandenes falando e sendo vaiados e ao final um bale muito triste. Assim saímos (eu e Katia do Cedaps que encontrei pelo caminho) e fomos encontrando os amigos e juntando para uma cerveja. Hoje a cerveja foi com calma, já que estou hospedada perto daqui. Me mudei para Chinatown hoje pela manhã e estou num hotel bem pequenininho, numa rua cheia de casas antigas e cheia de chineses. E, o que é mais importante, fui e voltei a pé do centro da confêrencia. (Até sábado, estava a mais de uma hora e meia de distância do centro de convenções.) Resumo o dia de hoje com a frase de Bangcoc que estamos repetindo aqui em Toronto: "As prostitutas não são um problema: são parte da solução." |
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